domingo, 22 de maio de 2011

incômodos

Aquele nó no centro do estômago, misturado a sensações/emoções incontroláveis e inéditas. Pelo menos para mim.
Vi o Artista da Dança Maurício de Oliveira duas vezes em ação como o protagonista dos espetáculos, em cena mesmo, e uma vez como diretor... Simplesmente GÊNIO!
Na mais recente obra dele(que se autodenomina entre um drinque e outro como "o filho bastardo de Elza Soares"), Objeto Gritante, não estaremos presentes. São 300 e tantos km de distância, uma pena.
Mas o cartaz já dá uma boa ideia do que o espectador irá encontrar, se estiver com o aparelho digestivo em dia para encarar. Basta essa visão para imaginar o que virá pela frente: certeza de NOCAUTE! Do tipo em que o boxeador se dobra inteiro num contorcionismo que só a Dança proporciona. Pura dor e só dor no fígado, no rim etc.

E nós aqui, bocejando!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Falta de tempo...

Eu sei que escrevo tarde, mas entendo que ainda vale. Sobre o tresloucado assassino de Realengo: obviamente trata-se de um episódio isolado e totalmente imprevisível. Doloroso, é claro.
Mas, no dia seguinte comentei na Rádio BandNews FM de Ribeirão Preto/SP(96,7), que gostaria muito de ver a mesma mobilização das autoridades, dos governantes, da sociedade civil, para pelo menos minimizar os "massacres" diários de crianças, pré-adolescentes e adolescentes.
Gente que falece aos poucos, lentamente... Ou como se estivesse naquelas salas de aula de Realengo. BANG!
É o abandono! O crack, as ruas, os semáforos etc.
E isso não comove, não gera mobilização, não produz reações e atitudes concretas?! Nos acostumamos com essas paisagens, embrutecemos.
Isso sim é inexplicável.

Recentemente li a autobiografia do Agassi. Relatos minuciosos de uma inquietação, uma busca incessante por "se entender", que não tem como não ser solidário. E mais: impossível não se enxergar nesses turbilhões pra lá de humanos e que algumas correntes, ávidas por resultado, ainda rotulam como "frescuras".
Resumidamente, destacaria: o fato dele ODIAR tênis pra valer; mesmo assim ter sido O NÚMERO 1 em dois momentos distintos da carreira; perseguir a perfeição; os críticos de plantão rotularem certas atitudes o tempo todo como se conhecessem intimamente o que ia pela cabeça do cara, e errarem pernósticamente todas essas pretensiosas tentativas de defini-lo... E por aí vai!

O livro vale pela "humanidade" da exposição de alguém que é uma crise ambulante, com raquete e tudo. E provoca na gente aquela sensação juvenil: "queria ser amigo desse cara"!

domingo, 3 de abril de 2011

"Tucinho"

Valeu Beto!


Quando eu quase virei casaca... Placar no céu: Santos 2 x 1 São Paulo(guenta as pontas que mais pra frente eu empato!).

Democracia?!

Democracia significa poder falar o que bem entender? Mesmo que a pessoa ocupe cargos públicos, seja formador de opinião etc.? Então, âncoras de TV e de Rádio podem, por exemplo, opinar incitando a audiência a matar alguém, roubar etc.?
Obviamente que não. Para os 2 exemplos.
Bolsonaro e seus "n" preconceitos... Cícero Gomes dando de ombros para os baixos salários do povão... Foram eleitos "democraticamente", mas isso não dá o direito dos tais citados falarem e agirem como bem entendem. Onde está o "Estado de Direito", com Direitos & Deveres?!
Ou voltamos ao vale-tudo, instituíram a Anarquia e eu não fui avisado.
Democracia é legal, desde que seja exercida com limites. Afinal de contas, nossos ouvidos não são penicos para receberem dejetos desses "doninhos do mundo".
Paredão das urnas para o miliquinho frustrado Jair(sei não, ele me lembra aquele personagem pra lá de angustiado, reprimido, amargo, do filme "Beleza Americana". Aquele que confunde tudo e num rasgo de rebeldia e liberdade, se revela para o personagem do ótimo Kevin Spacey!).
E desemprego pelo voto em 2012 para o educadíssimo "Lord" Gomes, que nem Português fala direito(e é professor! Isso só reforça como o nosso ensino vai de mal a muito mal).

E viva o Tiririca: "pior fica"!

domingo, 20 de março de 2011

Enturmados

Acho no mínimo estranho a total falta de critério, de senso crítico, principalmente da classe artística brasileira. Todos são amigos de todos. Todos "respeitam e admiram" o trabalho do outro e esse outro como pessoa também.
Os da área musical são uma vergonha: no mesmo palco, felizes, encontramos para sacrifício dos nossos ouvidos e de quem gosta daquele cantor e não de todo mundo junto e misturado.
Ivete Sangalo com Maria Gadú com Capital Inicial e com Luan Santana. Meu DEUS!
O dito roqueiro com sertanejo da pior qualidade, duplas que nascem feito mato. O pagode-romântico com aquele ruivo ex-Titã(Argh!!).
E por aí vai, uma ação entre amigos constante, onde ninguém fala criticamente sobre o outro. E o pior, ninguém veta o outro.
Ainda bem que existem pessoas como o maestro Júlio Medaglia e como o maestro de Ribeirão Preto José Gustavo Julião, que separam o joio do trigo e não têm papas na língua! E isso sem arrogância nenhuma. São caras que abominam o conceito elitista de "erudito".
Só que de uns tempos pra cá, qualidade, bom gosto são coisas de quem é preconceituoso neste país do eterno "berço esplêndido". Ter opinião é crime, pecado e consequentemente isola o sujeito que passa a ser marginalizado por essa panelinha da mediocridade que detém o chamado MERCADO e decide tudo.

Até o Faustão perdeu o pouco de noção que tinha e faz tempo. "Quem sabe faz ao vivo", um dos bordões do ex-gordo agora com cara de quem saiu do hospital a cada Domingão. Ora, então todos que vão lá são geniais e sabem fazer ao vivo.
Outra dele, atualmente um anorético um tanto quanto inflado: "Essa é fera, caráter acima de tudo, coisa rara nesse meio", brada o tal Faustãozinho. Ora, então temos o que comemorar. Como todos os que passaram e passam por aquele palco são extraordinários e pessoas elevadíssimas, essa é a carecterística normal e a exceção é gente picareta, invejosa, canastrona!

O negócio é ser amigo e ter alguém que aposte em você. A partir daí, mesmo com o falecido e saudoso Nelson Rodrigues tendo afirmado que "toda unanimidade é burra", você passará a ser referência no extenso território nacional.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

"Com ou Sem Gelo"

"SideWays" e "O Julgamento de Paris" são daqueles filmes que fazem com que até o mais radical abstêmio fique com água na boca para tomar uma taça de vinho.
Além da obra cinematográfica em si, os dados históricos enriquecem o conhecimento dos leigos a respeito de uma bebida que participa da trajetória da humanidade desde a Era Cristã.
Como apreciador do também velho e bom "scotch", venho por meio deste texto protestar e sugerir um filme sobre o whisky. Bebida tradicionalíssima e com séculos de História.
Basta um bom roteiro e uma belíssima viagem pelas destilarias escocesas e de quebra pelo local onde se produz o lendário bourbon Jack Daniel's.
Com ou sem gelo, só não vale misturar um líquido tão preciso e nobre com outras bebidas da moda.
Um brinde!
P.S.: aprendi a tomar whisky de uma maneira curiosa e talvez com uma dose de irresponsabilidade do meu pai. Por volta dos 9 anos, sempre que o velho chegava do trabalho, umas 8 da noite, antes do jantar ele tomava 1 dose com umas 4, 5 pedras de gelo, preparada por mim em copo baixo. Bebia vagarosamente e invariavelmente sobrava um pingo na hora de começar a comer a salada.

Já bem "aguado", e encantado pelo aroma amadeirado, pedia para bebericar aquele finalzinho... E hoje, mesmo sem ser um profundo conhecedor, virei um admirador dessa que passou a ser a minha bebida predileta.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Monstros

Ok, é um drama desde o original. Mas cisne é um bicho simpático e que não deveria assustar.
Cisne Negro, o ballet cinematográfico protagonizado por Natalie Portman, é simplesmente MONSTRUOSO.
Em pelo menos 2 sentidos: o de extraordinário e o que mexe com os inúmeros monstros que só a gente sabe(ou acha que sabe!) como essas criaturas conseguem habitar de fato, os nossos corpos, mentes, almas etc.
Um turbilhão que suplanta e ultrapassa de maneira contundente o sacrifício imposto pela carreira que leva ao topo desse tipo de dança e instantaneamente se encaixa tranquilamente, ou de maneira MONSTRUOSA, no nosso cotidiano frugal.
Em 2 horas de projeção dá para enumerar os seguintes monstros que atormentam qualquer mortal com alguma vontade de chegar lá(seja isso o que for) e ser minimamente feliz:
1)Cobrança: 1a)Interna. Você lutando com você mesmo, independentemente das suas limitações. A busca pela SUA PERFEIÇÃO(aqui também, seja isso o que for); 1b)Externa. Quem exige de você a superação permanente, "duela quem duela". Até passando do ponto em que isso passa a ser nefasto.
2)Frustração: gente que desconta em você os monstros que não são seus(haja superpopulação!).
3)Proteção: e tome você completamente despreparado para a vida porque alguém acha que está evitando que a vida se aposse do seu corpo e do resto.
4)Culpa: você acaba sentindo culpa por tudo. E quando consegue não pensar nisso, ou se livrar, alguém faz questão de lembrar.
5)Competição: todo mundo é igual, e como você também, dá-lhe a obrigatoriedade da busca pelo sucesso, mesmo sem saber direito o que vem a ser essa palavra. O "sucesso-padrão", é isso mesmo, ultimamente o sucesso é padronizado, globalizado e ai de você possuir outras regras e metas...
6)Tabus: são tantos que é melhor não tentar listá-los. Mas os mais MONSTRUOSOS são os que nos impõem, os que a gente herda.
Cisne Negro é uma obra-prima! Não há nem aquela reflexão doída pós-sessão de cinema. O espetáculo dá um soco no estômago e pronto.
*Ah, e ainda por cima é belo!